gestão riscos e tomada decisões

Gestão de riscos, tomada de decisões e estresse

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Este texto nasceu da minha análise do estresse causado pelas muitas decisões a tomar – cotidianas, de investimentos, de negócios, de saúde e outras.

Mas escrevo atônito este artigo, diante da notícia da morte do jornalista Ricardo Boechat, que ouvia frequentemente, sempre que próximo do rádio no horário da manhã. Considerava um companheiro de crítica dos fatos/eventos marcantes do mundo, como também dos agentes (ir)responsáveis. Ria muito, e ouvia extasiado as suas aulas de dialética e de construção de discursos lógicos, honestos, verdadeiros e muito empáticos com o cidadão ouvinte comum.

Muitas das críticas de sua lúcida metralhadora se dirigiam aos políticos e homens públicos, mas também para os muitos erros (e “erradores”) das tragédias diárias, que têm se repetido à exaustão. E neste sentido, estão alinhados com a essência da gestão de riscos, seus controles sobre as potenciais causas, a responsabilização na cadeia de comando, a investigação justa e precisa dos fatos, tendo a integridade e ética como princípio norteador.

VUCA X Gestão de Riscos X Tomada de Decisões X Estresse

Voltando ao processo de tomada de decisões, as ocorrências recentes, como o rompimento da barragem de rejeitos de Brumadinho e o incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, só reforçam o objeto central da ideia deste texto:

gestão de riscos e tomada de decisões

EXEMPLO DA COMPRA DE NOTEBOOK

Como o da decisão a respeito de uma compra de notebook. Sou usuário e comprador de notebooks e computadores há mais de 20 anos… Um comprador experiente… Mas nas primeiras compras, havia menos marcas a considerar, menos modelos, menos lojas, menos atributos… Hoje, além do processador, memória, armazenamento, bateria, temos os subitens:

Processador: a marca do fabricante, de quantos núcleos, i3, i5 ou i7 (ou os demais), de qual geração, privilegia desempenho ou gestão de energia, qual a frequência, se é compatível com o desempenho esperado;

Memória: capacidade, soldada na placa mãe ou não, sobrará um slot ou não, expansível até qual capacidade, de tipo mais moderno (DDR4) ou não, terá acelerador de memória ou não, se é compatível com o desempenho esperado;

Armazenamento: quantidade, tipo de tecnologia, se aceita SSD, se tem cartão de memória adicional, se é compatível com o desempenho esperado;

Bateria: quantas células, quanto Wh, autonomia, qual a rapidez no carregamento, quantos ciclos dura, o material da bateria;

Isso sem falar de tela, placa de vídeo, webcam, portas USB, porta C, peso, tamanho, tipo de wireless, tipo de conexão para vídeo, qualidade do material do chassis, durabilidade, tipo do notebook (2 em 1, ultrabook, netbook, ultrafino, etc.) e outros…

Além deste poucos itens, ainda falta falar dos atributos não técnicos do notebook em si, como preço, promoção, forma de pagamento, reputação da loja, se esta loja será física ou online (e seu respectivo frete), assistência técnica, reclamações sobre a empresa e o produto (e a qualidade/presteza da resposta/tratamento)… Ufa…

Para evitar os riscos de descontinuidade operacional, quebra, lentidão, obsolescência, tenho de avaliar este conjunto de configurações e ofertas… Não ser avançado demais quanto à tecnológica, pois o preço ficará muito alto, não ser fraco demais, pois não atenderá à demanda, não comprar itens que não me servirão de nada, atender à mobilidade necessária para as muitas viagens atinentes ao meu tipo de trabalho, etc…

Só que no mundo VUCA online, modelos são rapidamente descontinuados, estoques acabam, promoções iniciam e terminam em uma noite, a necessidade inicial é alterada (aconteceu no meu caso), o dólar sobe e os preços mudam… Até achar o conjunto ideal, eu não sossego… É um processo. E isso gera estresse…

OUTROS EXEMPLOS COTIDIANOS

A este exemplo de informática, se somam dezenas de outras decisões cotidianas:

Remédios – para evitar as consequências das doenças, gastamos mais e mais tempo , energia e dinheiro com médicos, exames e remédios… muito mais do que há anos atrás….hoje tenho uma gaveta inteira somente para os medicamentos, que abrangem assuntos diversos como pressão, tireoide, pro bióticos, garganta, varizes, homeopáticos, refluxo, vitaminas… alguns de manhã antes do café, outros depois do café, outros após o jantar, outros antes de dormir… Criamos hábitos, mas isso gera um estresse também. Ontem comprei um outro medicamento, e pronto, errei a dosagem ao somar com o anterior…;

Investimentos – para evitar os riscos de perdas e aumentar os ganhos financeiros, temos de entender a China, o Trump, o Brexit, lições de macroeconomia, taxas de juros, saber ler as entrelinhas das atas de reuniões do Copom, entender as tendências econômicas dos candidatos políticos, a zona do Euro, o multilateralismo, os mercados setoriais de consumo, infraestrutura, imobiliário, commodities, conhecer os fundamentos de grandes empresas e small caps, saber que título (campeão, vice-campeão?) do tesouro direto aplicar… a velha e segura renda fixa, ou pé-no-peito com ações de empresas arrojadas?… Mais estresse na correlação risco-remuneração: ficar parado no DI – ganha pouco com segurança; aplicar em fundos multimercados (bolsa? geral? no exterior?) – alto risco x maior potencial de remuneração…;

Nossas relações pessoais e o trabalho – quantos minutos nós passávamos, há 20 anos atrás, conversando e vendo notícias sobre amigos, durante o expediente de trabalho? Agora, se bobearmos, passamos um bom tempo lendo as mensagens de whatsapp dos (vários) grupos (e Facebook, Instagram, Twitter, You Tube e as várias outras redes sociais), desde as boas vindas ao dia que se inicia (ai ai ai) até fotos, vídeos, notícias do momento, exposições das vaidades alheias, douração dos egos e olimpos…Muitas interrupções e os barulhinhos dos celulares. Isso que nem falamos dos e-mails e dos muitos spams e propagandas desnecessárias… Quanto isso aumentou em relação há anos atrás?

CONCLUSÃO

Usei estes exemplos rotineiros, para ilustrar, dentro da MUVUCA cotidiana, a gestão de riscos, tomada de decisões e o estresse causado…

Não estou querendo eximir da responsabilidade os causadores dos acidentes ocorridos (de Brumadinho, do Ninho do Urubu do Flamengo, mas também de todos os vários ocorridos nestas últimas semanas). Nem da nossa responsabilidade em lidar com toda esta complexidade. Pelo contrário, devemos sinalizar que a gestão de riscos se faz indispensável… Cada vez mais…

E que os gestores das organizações privadas, públicas, agentes de fiscalização, classificadores de riscos, conselheiros de empresas, funcionários – todos devem entender a seriedade dos riscos envolvidos, e tomar decisões responsáveis e de maior grau de proteção quando vidas humanas estão em jogo…

E estar preparados para gestão de crises, pois um mundo VUCA sinaliza maiores chances de uma… Inclusive para o estresse do processo de tomada de decisões responsáveis… Pois tomar decisões irresponsáveis é fácil… Fazer muito com muito também… Pensar no curto prazo e fechar os olhos para as consequências de longo prazo para partes interessadas distantes também é fácil…

A exposição acima clama pela necessidade de evolução de conceitos, práticas, mentalidades, normas e modelos para a gestão de riscos.

É certo que há novos modelos, como a ISO 31000 e o COSO ERM renovados… Mas as derrotas da prevenção e as consequências produzidas pela falta de gestão de riscos, e pela contínua luta contra a MUVUCA pululam pelo mundo: os mortos e afetados pela falta de gestão em Brumadinho, Cataguases e Mariana; o patrimônio histórico cultural do Brasil (incêndio do Museu Nacional e Museu da Língua Portuguesa de São Paulo), os tantos mortos e feridos dos muitos acidentes em transportes e indústrias, o Ricardo Boechat, mas também todos nós estressados, diante de tanta luta cotidiana…

Michel Epelbaum – diretor da Ellux Consultoria

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