Aquecimento Global recorde, COP 25 E Greta

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Maior risco global segundo o Fórum Econômico Mundial (2019), o aquecimento global e suas consequências (eventos climáticos extremos, desastres naturais e riscos sociais e econômicos decorrentes) continua a ser um tema dominante das preocupações mundiais.

Os alertas sobre a gravidade da situação e dos efeitos do aquecimento global vêm de todos os lados. Após a concentração recorde de gases de efeito estufa em 2018, o ano de 2019 pode ser o segundo mais quente desde que o registro das temperaturas começou em 1880, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). De acordo com a ONU:

as emissões de gases causadores do efeito estufa continuam subindo.

a média da temperatura do planeta de 2015 para 2019 será 0,2 º C acima do período anterior de cinco anos. Além disso, ela é 1,1º C mais quente que os níveis pré-industriais de 1850 a 1900. A temperatura média global poderá aumentar 3,4 º C até 2100 mesmo se governos conseguirem cortar suas emissões como prometido. Segundo o documento, países precisam se esforçar ainda mais para limitar o aumento em 1,5 º C acima dos níveis pré-industriais.

o nível do mar sobe 25 vezes mais rapidamente do que no século 20.

Outro estudo, “Contagem regressiva sobre saúde e mudanças climáticas”, aponta que, em comparação com o ano 2000, 157 milhões de pessoas adicionais em situação vulnerável foram expostas a ondas de calor em 2017. O clima mais quente também levou à perda de 153 bilhões de horas de trabalho no ano passado, um salto de 60% em relação a 2000.

Dois dos temas da Lista das 20 Grandes Ideias que mudarão o mundo em 2020 do linkedin tratam das mudanças climáticas, suas consequências nos mercados imobiliários e da necessidade de medidas mais efetivas para preveni-las.

COP 25

Encerrou-se neste fim de semana a 25ª Conferência do Clima da ONU – COP 25 (de slogan “Hora da Ação”), que deveria ter sido realizada no Chile, mas por conta das manifestações sociais intensas neste país, foram transferidas para Madrid/Espanha. Delegados de mais de 200 países não chegaram a consensos sobre medidas práticas de combate ao aquecimento global, como o mercado de carbono, assuntos adiados para a COP26, que acontecerá em Glasgow, Escócia, em novembro de 2020.

Houve divergência entre melhoria das metas entre o bloco europeu (que decidiu neutralizar emissões até 2050) e os dois maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa (os EUA, que  anunciaram a saída do Acordo de Paris, e a China, que tem um discurso mais favorável ao combate ao aquecimento global, mas que não é seguido por práticas compatíveis), além de Índia e Brasil, sendo muito criticados pelas ONGs.

O Brasil, 7º maior contribuinte para o aquecimento global, chegou enfraquecido em seu posicionamento ambiental: ameaça de sair do Acordo de Paris, acidente de Brumadinho, óleo que atinge centenas de cidades e praias, aumento no desmatamento da Amazônia, acusações de flexibilização das estruturas ambientais governamentais. E teve atuação considerada desastrosa na COP 25, tendo ganho pela primeira vez o prêmio não oficial “Fóssil do Ano” para o país que mais atrapalha nas negociações, oferecido pelas organizações que monitoram o rumo das negociações na conferência. Ainda foi acusado pelo Greenpeace de “bloqueador climático” e de “vender acordos sobre carbono para atropelar cientistas e a sociedade civil”.

NOVAS LIDERANÇAS

O movimento dos governos nacionais na arena ambiental é muito importante para o recrudescimento do aquecimento global. Mas cada vez mais o pioneirismo e liderança na questão ambiental vem de fora dos governos federais.

A começar pelos estados e cidades que se engajam independentemente dos governos federais (p.ex. nos Estados Unidos). Mas também de empresários e administradores de empresas que vem se comprometendo com a sustentabilidade e redução do aquecimento global. E das ONGs ambientalistas, que continuam atuantes há décadas.

Mas, neste ano, os líderes mundiais enfrentam crescente pressão das gerações mais jovens, que demonstram maior engajamento com as questões socioambientais. Veja o movimento estudantil criado pela jovem e contundente ativista sueca de 16 anos (!!!) Greta Thunberg, que mantém a campanha Fridays for Future, usa fortemente as redes sociais, discursos entre os “adultos” (p.ex. na ONU) e até rendeu uma campanha pelo Prêmio Nobel da Paz em 2019. Na semana passada, ela foi eleita pela Revista Time como personalidade do ano, e atraiu a atenção dos Presidentes Donald Trump (“histérica”) e Jair Bolsonaro (“pirralha”).

CONCLUSÃO

Está claro que a velocidade do movimento de combate ao aquecimento global é insuficiente para evitar consequências mais drásticas previstas. A dependência de líderes céticos, comprometidos com certos setores econômicos e com mentalidade estritamente financeira retarda este processo. O posicionamento brasileiro atual é reativo e merece um reposicionamento no discurso, mas também na prática.

O mercado vem internalizando as preocupações ambientais em velocidade mais rápida do que os governos, mas avança mais onde os riscos e oportunidades são maiores, o que deve ser encarado com cuidado.

Mas a grande novidade vem das novas gerações e das redes sociais. É uma lufada de ar fresco e vibrante na arena ambiental! Logicamente a gana e inocência da juventude deve se modulada diante dos desafios do mundo real. Mantendo a força criativa e o novo mindset.

Nós que estamos cada vez mais ansiosos com o futuro e depressivos com o passado e presente enfrentamos obstáculos que nos obrigam a mudar o mindset, e nos tornarmos mais conscientes, presentes e resilientes em direção a um mundo mais sustentável. Temos de melhorar os relacionamentos, construir cooperação, cultivar a tolerância, entregarmo-nos de braços e alma abertos para o mundo, dar o melhor de si. Ouvir.

Desejamos boas festas a todos, e um ano novo de reinvenção, com energia, qualidade, respeitando as pessoas e o planeta, com ética!!

 

Michel Epelbaum – Diretor da Ellux Consultoria

Diretor da Ellux Consultoria. Tem mais de 25 anos de experiência nacional e internacional em gestão de sustentabilidade, qualidade, meio ambiente, saúde ocupacional e segurança, e compliance.  É membro dos Comitês Técnicos da ABNT de Gestão Ambiental, Antissuborno, Riscos, Governança, Responsabilidade Social e Energia. É Lead Assessor nas normas ISO 9001, ISO 14001, OHSAS 18001, ISO 45001, ISO 19600 e ISO 37001.

Consulte nossos serviços de ConsultoriaTreinamento e Auditoria em Sistemas de Gestão, inclusive nas Normas  ISO 45001 , ISO 14001 e ISO 9001.

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Conferência sobre o Clima, Aquecimento Global recorde e a reação das lideranças!!!

Riscos Globais 2018 – Fórum Econômico Mundial

COP21 Paris 2015 – Conferência sobre o Aquecimento Global – Acompanhe ao vivo!

Acordo Climático de Paris – COP21

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